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Neste Número:
• ILGA-Europe’s new advocacy project in the Western Balkans
• Setting advocacy goals to improve situation of LGBTQ people in Armenia

ILGA-EUROPE:

EUROPE:
• Commissioner-Designates’ promises on human rights
• Documentary on multiple identities/discrimination

LGBT FAMILIES:
• Portuguese Parliament approves same-sex marriage

FREEDOM OF ASSOCIATION:
• Call for action: Protect freedom of association for LGBT rights activists in Turkey

HATE & VIOLENCE:
• ILGA-Europe publishes a note on opportunities for reporting in 2010

EDUCATION:
• Lithuanian Parliament amends homophobic law
• UK: First ever film for schools to tackle homophobia will be sent to every secondary school
• School Agenda 2010: Promote and protect fundamental rights in the EU

NOTICE BOARD:
• Call for papers – Sexual Orientation, Diversity and Equality in Organisations: Lesbian, Gay, Bisexual and Heterosexual Perspectives
• Call for papers – “Equal is not enough” Conference: “Challenging differences and inequalities in contemporary societies”
• New publication – The Little Green Book on LGBT
• Seminar: Gendered Citizenship in Multicultural Europe: Issues, Challenges, Visions, 22 April 2010, Brussels

Notícias enviadas pela direcção da rede ex aequo

Associação “Rainbow Rose Portugal”

A Associação «Rainbow Rose Portugal» convida para a sua sessão de apresentação pública que decorre no dia 8 Fevereiro, pelas 19.00, no Chapitô, na Costa do Castelo, em Lisboa. A sessão contará com a participação dos seguintes oradores:
Anna Paola Concia, Deputada do Partido Democrático Italiano;
Michael Liebflinger, membro do Soho (Áustria) e do Comité Executivo da Rainbow Rose;
Ana Catarina Mendes, deputada do grupo parlamentar do Partido Socialista;
Gonçalo Clemente Silva, Rainbow Rose Portugal.
 
Contacto para imprensa:
Cláudia Ferreira – 91 030 97 63 | Gonçalo Clemente Silva – 96 334 62 57
 
A Rainbow Rose Portugal
A Rainbow Rose Portugal inscreve-se nos princípios e no espaço político do socialismo democrático e partilha de uma visão progressista do Mundo e da sociedade. Defende uma sociedade aberta, livre e inclusiva, onde seja atingida e praticada a igualdade plena entre as mulheres e os homens que a constituem.
Neste sentido, é  objectivo da Rainbow Rose Portugal servir de catalisador para o desenvolvimento de abordagens políticas e sociais mais coerentes e assentes nos direitos da igualdade e da não discriminação e combater todas as formas de discriminação, especialmente as consagradas nos artigos 10º e 19º do Tratado de Lisboa: sexo, “raça” ou origem étnica, religião ou crença, deficiência, idade, e orientação sexual, bem como identidade de género.

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Vídeo-arte e debate sobre “Identidades sexuais” no bar acercadanoite em Almada

No próximo dia 11 de Fevereiro às 21h, o acercadanoite, o mais antigo bar de Almada, com uma longa tradição de tertúlia, levará a cabo uma iniciativa que terá uma componente artística, com a estreia de uma peça de vídeo-arte e depois um debate. A peça  UnCut é de João Lobo, um português há muitos anos residente na Dinamarca, sobre transidentidades, género, masculinidades. Trata-se das histórias dos trigémeos fictícios Joshua, Eva e David que têm diferentes identidades sexuais e que, por razões diferentes, são fascinados por um misterioso, sempre ausente, amigo grego comum, Agathon – discutem-se questões da identidade do homem moderno: os conceitos de masculinidade, virilidade e normalidade são abordados poeticamente através do homossexual Joshua; o significado dos conceitos de ‘normalidade’, ‘beleza’ e ‘amor’ são debatidos através da lupa ‘queer-política’ de Eva, uma sofisticada mulher transexual; novos valores confrontam a mentalidade heteronormativa de David, um heterossexual que se considera normal e sempre demasiado ocupado para se dar conta do seu semelhante.

A banda sonora complementa os personagens dando voz a pessoas reais que L-O-B-O entrevistou na Escandinávia através de um abrangente trabalho de investigação e de campo que incluiu também a consulta de diversos especialistas académicos em questões de género e identidade, tentando integrar conhecimento académico e trabalho de campo num interessante, complexo e pouco comum processo de criação artística.

Integram o painel para o debate com o tema ‘Identidades sexuais’ (que se fará com recurso ao skype porque estaremos em contacto com Copenhaga),

Pia Nielsen e Karin Astrup, representantes da Transdebat & Konsidentitet, associação dinamarquesa de debate de questões de género e identidade e transexualidade e

Marie Louise Holm, representante da Nemm-Netvaerk for Forkning om Maend & maskuliniteten, rede de estudo/investigação sobre Homens e masculunidades que integra uma rede de estudo nórdica sobre o mesmo assunto.
 
Do nosso lado teremos Miguel Vale de Almeida (Antropólogo Social e Deputado do PS),

Helena Pinto (Deputada do BE que apresentou e defendeu o projecto lei sobre casamento e adopção),

Raquel Freire (realizadora e membro dos Panteras Rosa) e

Filipe Salema do Grupo de Intervenção e reflexão sobre Transexualidades da Associação ILGA Portugal.

O moderador será Reinhard Naumann, sociólogo e representante da Fundação Friedrich Ebert em Portugal.

O objectivo desta reunião de pontos de vista é debater o assunto, pegando na realidade que temos em Portugal numa altura em que estamos na eminência de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, na convicção de que todos os espaços são dignos do exercício da cidadania e da intervenção social.
Até breve,
A Direcção da rede ex aequo

Terapia de reconversão de homossexuais

Um mãe (da AMPLOS) enviou-nos este texto:

Texto publicado em Educare.pt

Adriana Campos| 2010-02-03

A minha grande esperança é que, no futuro, em vez de se falar em terapia de reconversão de homossexuais, se fale em terapia de reconversão das mentalidades que continuam a olhar a homossexualidade como uma doença que exige tratamento.

“A Associação Americana de Psicologia (APA) desaconselhou hoje os profissionais de saúde mental a dizerem aos seus clientes homossexuais que podem tornar-se heterossexuais através de terapia ou outros tratamentos.
Numa resolução aprovada pelo conselho executivo da APA e num relatório anexo, a associação emitiu o seu “mais amplo repúdio” face à terapia de reconversão, um conceito defendido por um pequeno mas insistente grupo de terapeutas norte-americanos, muitas vezes aliados a grupos religiosos.”
Agência Lusa – 6/08/2009

A evolução humana tem sido fantástica em muitas áreas, mas em termos de mentalidades continuamos na Idade da Pedra. Se é necessário que a Associação Americana de Psicologia venha desencorajar a terapia da reconversão, isso significa um desconhecimento relativamente ao que é a homossexualidade e, o que é mais grave, é que esse desconhecimento viva lado a lado com os técnicos.

Se os homossexuais pedem ajuda a profissionais para alterar a sua orientação sexual, isso significa, sobretudo, que se sentem mal numa sociedade que os rejeita. Na verdade, o problema reside aqui, porque continuamos a conviver mal com as minorias e a achar que o natural é sermos todos heterossexuais. Até quando esta mentalidade enferrujada e bafienta? Falo desta realidade com alguma revolta, porque vou contactando, com frequência, com pessoas fantásticas que, por serem diferentes, vão sendo colocadas à margem não me refiro apenas aos homossexuais, mas àqueles que, de alguma forma, não se enquadram nas maiorias.

Tanto a Associação Americana de Psicologia como a Associação Americana de Psiquiatria já assumiram há muito tempo que a preferência pelo mesmo sexo não é indicador de distúrbio psicológico, sendo o resultado de predisposições biológicas e influências culturais. Se a preferência pelo mesmo sexo não constitui um indicador de psicopatologia, porquê a terapia de reconversão? Poderão algumas pessoas responder: porque alguns homossexuais não se sentem bem com a sua orientação sexual. A estes eu responderia: numa sociedade como a nossa dificilmente alguém se sentirá bem com a diferença. Porquê? A resposta é tão evidente que quase não era necessária: porque ser diferente continua a ser sinónimo de exclusão.

Face ao exposto, o que me parece mais ajustado é que qualquer profissional, quando confrontado com um pedido de reconversão, tenha a honestidade de dizer que ” não existe evidência científica que suporte uma intervenção que resulte na completa mudança de orientação sexual”.

O contacto com adolescentes confusos relativamente à sua orientação sexual leva-me a sublinhar a necessidade e a importância de, junto dos jovens nesta faixa etária, clarificar a diferença entre preferências e contactos homossexuais, uma vez que, na adolescência, os contactos homossexuais são bastante frequentes entre rapazes e raparigas, sem que isso implique, que no futuro o jovem terá preferência por pessoas do mesmo sexo.

A minha grande esperança é que, no futuro, em vez de se falar em terapia de reconversão de homossexuais, se fale em terapia de reconversão das mentalidades que continuam a olhar a homossexualidade como uma doença que exige tratamento.

Olà Margarida, ho visto il vostro blog e sono stato molto felice di vedere il mio messaggio e anche il video di un nostro papà, Ettore Ciano, a piazza Navona nel Pride di Roma lo scorso anno. E’ stato un intervento molto apprezzato dalle persone presenti. Ettore è il Presidente dell’Agedo Roma, mentre la Presidente nazionale è Rita De Santis, che è la mamma che si vede del film “2 volte genitori”, prodotto grazie alla comunità europea di cui voi avete messo un trailer.
Um grande abraço
fabrizio.
 
Olá Margarida, vi o vosso blog e fiquei muito feliz por ver a minha mensagem e ainda um video com o nosso “pai”, Ettore Ciano, na piazza Navona na marcha pride de Roma do ano passado. Foi uma intervenção muito apreciada pelos presentes. O Ettor é o presidente da Agedo-Roma, mas a presidente nacional é a  Rita De Santis,  a “mãe” que se vê no filme “2volte genitori” produzido com o apoio da Comunidade da Europeia cujo trailer vocês divulgam.
Um grande abraço
Fabrizio
Em resposta a uma mensagem de apresentação da AMPLOS recebemos esta resposta:
Agedo Roma 31/1 às 23:05
Bene. L’AGEDO ha gli stessi obiettivi e da 15 anni si impegna in italia a sostenere i propri figli omosessuali, bisessuali, transessuali nelle loro battaglie e a dare sostegno ai genitori e ai familiari per stare vicino ai loro figli.
Tradução:
Bem. A AGEDO tem os mesmos objectivos e desde há 15 anos que se empenha em Itália a apoiar os filhos homossexuais, bissexuais, transexuais na sua luta, e a dar apoio aos pais e familiares para que não deixem de estar próximo dos seus filhos.
 

Neste video um pai da Agedo-Roma dirige-se à multidão na marcha de 2009.

 

Learning That an Adolescent Child Is Gay or Lesbian: The Parent Experience

Journal article by Susan Saltzburg; Social Work, Vol. 49, 2004

“Dado que as vidas dos filhos adolescentes e as dos seus pais estão inexoravelmente interligadas, o coming out dos adolescentes torna-se também no coming out dos seus pais e configura um novo prisma através do qual os pais passam a ver o mundo. Reconhecer e aceitar a sua própria identidade social enquanto pais de um adolescente gay ou lésbica é normalmente acompanhado da necessidade de descobrir como corresponder às necessidades de crescimento social e psicólogico desse filho  adolescente”.

Download aqui.

«Dos piores momentos que tive na minha vida de associativismo gay foi uma tarde em que recebi um telefonema de uma mãe em pranto. O filho tinha tentado cometer suicídio e na sua carta tinha o meu número de contacto. Eu saberia o que explicar-lhe!
 
Conheci o C_ quando a turma dele do 10º ano grupo escolar dele organizou uma palestra sobre homossexualidade e me convidaram a ir à escola falar. Mais tarde ele confessou-me timidamente “também sou como tu!”. Não conseguiu dizer homossexual!
 
A mãe tinha dois filhos, o pai havia casado com outra mulher e vivia noutro país. O filho mais velho também era gay e o C_ era o mais novo. A mãe sabia do primeiro, e aceitava-o, o mais novo tinha medo de desiludir a mãe não imaginando o que a mãe já sabia há muito tempo. Mas o medo de magoar a mãe, e o medo da mãe de confrontar o filho, levou àquela noite no hospital.
 
Depois de receber o telefonema peguei logo na minha mãe, Isabel, e segui para o hospital a 40 km dali. Ficámos mãe com mãe, filho com filho.
 
C_ está hoje vivo e convive bem com a sua homossexualidade.
 
Da noite no hospital, entre muitas coisas, ficou-me uma conversa no carro, já de regresso a casa, em que a minha mãe dizia que só nestes momentos é que se apercebia da necessidade de uma associação de pais, porque ela, com a homossexualidade do filho resolvida não se sentia necessitada de nada… excepto quando precisava da associação para ajudar os outros pais.
 
Por isso hoje sei que grupos de pais de filhos de gays e lésbicas e trans são importantes, não só para os que consideram a orientação sexual dos seus filhos como um problema, e que por isso não conseguem organizar grande coisa, como para os que tem a relação com os seus filhos resolvida, porque são esses que podem apoiar os primeiros.”
 
SM, 23 Jan 2010

Este texto será disponibilizado em “Testemunhos”

Um texto da psicóloga Gabriela Moita

A patologia da diversidade sexual: Homofobia no discurso de clínicos

“Apresenta-se e analisa-se posicionamentos de técnicos de saúde mental disseminados por diversos modelos de leitura ainda ancorados no paradigma  patológico da homossexualidade. O material exposto neste artigo é resultado de uma análise feita a discursos produzidos em grupos de discussão, organizados para efeitos de investigação, e formados quer por clínicos (psiquiatras e psicólogos), quer por gays e lésbicas que passaram por processos de acompanhamento terapêutico (por razões múltiplas e não apenas por questões ligadas à homossexualidade).Os níveis de homofobia e heterossexismo ainda existentes no contexto clínico português revelam quer a cumplicidade com modelos de formação não questionados, quer a dificuldade com que mesmo amplia, a discriminação social de que são alvo gays e lésbicas podem confrontar-se num processo que perpetua, senão mesmo amplia, a discriminação social de que são alvo.”

Ver texto integral aqui

O texto inicia-se com as citações:

Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá.

Jorge de Sena, “Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya” (1963)

No estamos legislando, Señorías, para gentes remotas y extrañas. Estamos ampliando las oportunidades de felicidad para nuestros vecinos, para nuestros compañeros de trabajo, para nuestros amigos y para nuestros familiares, y a la vez estamos construyendo un país más decente, porque una sociedad decente es aquella que no humilla a sus miembros. Una sociedad que ahorra sufrimiento inútil a sus miembros es una sociedad mejor.

Discurso de José Luís Zapatero, aquando da apresentação do Projecto-Lei de modificação do Código Civil, em 30 de Junho de 2005

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